A história da Soka Gakkai começa com Tsunesaburo Makiguchi. Antes de ser o primeiro presidente da organização, Makiguchi exerceu por muitos anos a função de diretor em diversas escolas de ensino fundamental em Tóquio, no Japão. Paralelamente à atuação na educação, Makiguchi buscava uma religião que servisse de base para sua vida. Foi quando aquele que viria a ser o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, deixou a vila de Astuta e foi para Tóquio que seus caminhos se cruzaram com Makiguchi, de quem tornou-se seu discípulo. Em 1928, Makiguchi converteu-se ao Budismo Nichiren, sendo seguido por Toda.

Fundação da Soka Kyoiku Gakkai
Com vasta experiência na área da educação, Makiguchi escreveu Teoria do Sistema Educacional de Criação de Valores, obra em que aparece o nome Soka Kyoiku Gakkai (Sociedade Educacional de Criação de Valores). Editada por Josei Toda, a publicação foi lançada em 18 de novembro de 1930, data considerada o marco de fundação da Soka Gakkai, sucessora da Soka Kyoiku Gakkai.
A Soka Kyoiku Gakkai foi estruturada gradativamente e passou a atuar efetivamente, a partir de 1937, com educadores que simpatizavam com o sistema educacional Soka (criação de valores). Mais tarde, incorporou pessoas de outras áreas e tornou-se uma organização de leigos praticantes do Budismo Nichiren.
Naquela época, a Nichiren Shoshu, com sede no Taisekiji (Templo Principal), era uma pequena entidade religiosa composta por clérigos, cujos adeptos se organizavam em torno de templos locais e recebiam orientação de seus priores. Ainda assim, desde a origem, a Soka Kyoiku Gakkai estabeleceu-se como instituição independente da Nichiren Shoshu. Sob a liderança do presidente Makiguchi e do diretor-geral Josei Toda, a organização manteve-se como entidade leiga autônoma, e seus integrantes receberam orientações sobre a prática do Budismo por intermédio da liderança, sem subordinação ao clero.
A prática religiosa desenvolvida na Soka Kyoiku Gakkai visava à conquista da felicidade absoluta na vida diária. Os membros eram incentivados a se fortalecer na fé e na prática e a atuar pela paz e pela prosperidade social, sem se prender a rituais realizados em templos ou a ocasiões como casamentos e funerais. Desse modo, buscava-se promover uma forma de prática religiosa baseada no espírito original do Budismo Nichiren.
Por meio de reuniões de palestra e de campanhas de shakubuku em todo o Japão, a organização se desenvolveu e chegou a reunir cerca de três mil associados.

A imposição do regime militar japonês
Com o início da Segunda Guerra Mundial, o governo militar japonês impôs a unificação das religiões e a adoração do talismã xintoísta como religião oficial do país. Temendo a repressão estatal, o clero da Nichiren Shoshu instruiu a Soka Kyoiku Gakkai a aceitar o talismã xintoísta, em junho de 1943.
A orientação foi considerada uma heresia, por contrariar os ensinamentos de Nichiren Daishonin, e a organização a rejeitou, mantendo-se fiel à prática budista. Como consequência, em 6 de julho do mesmo ano, Makiguchi, Toda e outros 21 líderes da Soka Kyoiku Gakkai foram presos. Diante do rigor dos interrogatórios, apenas Makiguchi e Toda permaneceram firmes em suas convicções; os demais abandonaram a fé.
Na prisão, Josei Toda empenhou-se na recitação do daimoku e na leitura do Sutra de Lótus, chegando à percepção de que “Buda é a própria vida”. Entendeu também que era um bodisatva da terra que participara da Cerimônia no Ar, descrita no Sutra do Lótus. Essa percepção ocorreu em novembro de 1944.
Na mesma época, em razão da idade avançada, Makiguchi apresentou um quadro de desnutrição grave. Em 18 de novembro de 1944 — data de fundação da Soka Gakkai —, faleceu na prisão, em Tóquio, aos 73 anos, como mártir. Foi uma nobre existência de ações concretas de “não poupar a própria vida”, conforme consta no Gosho. Pioneiro de seu tempo, reviveu o espírito de Nichiren Daishonin de propagar a Lei Mística e salvar as pessoas do sofrimento, realizando o shakubuku.
Com a percepção alcançada na prisão, Josei Toda consolidou uma convicção inabalável no Budismo Nichiren e a plena consciência de sua missão como líder do kosen-rufu. Seu despertar tornou-se um ponto essencial para o desenvolvimento da organização no pós-guerra. Enquanto outros se afastavam da fé, Toda expressava sincera gratidão a Makiguchi, evidenciando o profundo laço de mestre e discípulo entre ambos.

A época de Josei Toda
Libertado da prisão em 3 de julho de 1945, Josei Toda iniciou imediatamente a reconstrução da organização. Em março de 1946, alterou o nome de Soka Kyoiku Gakkai para Soka Gakkai (Sociedade de Criação de Valores), com o propósito de atuar em prol da paz mundial e da felicidade da humanidade, transcendendo o objetivo inicial de reforma educacional.
Ao reencontrar alguns membros, Toda retomou a realização de reuniões de palestra e de campanhas de shakubuku em várias localidades do interior do Japão. Em meio à reconstrução da Soka Gakkai, Josei Toda conheceu um jovem que se tornaria seu fiel discípulo e mudaria a história do kosen-rufu mundial: Daisaku Ikeda, nascido no bairro de Ota, em Tóquio, em 2 de janeiro de 1928.
Aos 13 anos, com o início da Segunda Guerra Mundial, seus quatro irmãos mais velhos foram convocados para as frentes de batalha. Ele passou a trabalhar em uma indústria de armamentos para ajudar no sustento da família. Ao mesmo tempo, por sofrer de tuberculose, vivia imerso em questionamentos sobre a vida e a morte. Ikeda presenciou os horrores da guerra sob constantes ataques aéreos e conviveu com a tristeza da mãe diante da morte do filho mais velho no campo de batalha. No pós-guerra, estudou inúmeras obras literárias e filosóficas em busca de uma visão correta da vida.
Nessas circunstâncias, Ikeda participou de uma Reunião de Palestra da Soka Gakkai em 14 de agosto de 1947, encontrando-se pela primeira vez com Josei Toda.
Naquele dia, Toda explanou a “Tese sobre o Estabelecimento do Ensino Correto para a Paz da Nação”. Ao término, o jovem fez uma série de perguntas: qual é o modo correto de vida? O que é ser um verdadeiro patriota? Qual é o significado de Nam-myoho-renge-kyo? Diante de respostas claras e coerentes, sentiu que poderia confiar nele. Dez dias depois, em 24 de agosto, converteu-se ao Budismo Nichiren.
A partir dessa data, Ikeda — então aluno do curso noturno do Instituto Educacional Taisei (predecessor da Faculdade Fuji de Tóquio) — dedicou-se ao estudo do budismo e participou das explanações de seu mestre sobre o Sutra de Lótus. Em janeiro de 1949, passou a trabalhar na editora de Toda.
Em razão da situação econômica caótica do pós-guerra, as empresas de Toda faliram, e ele renunciou ao cargo de diretor-geral da Soka Gakkai. Entre os funcionários, apenas Ikeda permaneceu ao seu lado. O discípulo chegou a interromper os estudos para apoiá-lo integralmente. Por isso, Toda passou a ministrar-lhe aulas particulares sobre as mais variadas matérias, com qualidade superior à de qualquer curso universitário. Chamou essa formação de “Universidade Toda”.
Em 3 de maio de 1951, Josei Toda tomou posse como segundo presidente e estabeleceu a meta de concretizar 750 mil conversões no Japão. Considerando que havia apenas cerca de três mil membros, tratava-se de um objetivo altamente desafiador. Toda planejou diversas estratégias para ampliar o movimento em prol do kosen-rufu.
Uma dessas estratégias foi o início da publicação do jornal Seikyo Shimbun, em 20 de abril de 1951. Nessa ocasião, ele começou a escrever, em série, o romance Revolução Humana, cujo conceito refere-se à transformação da condição de vida de cada pessoa com base na prática da fé, e que serviu de base para reavivar o Budismo Nichiren na época atual. Lgo após sua posse, fundou as Divisões Feminina, Masculina de Jovens e Feminina de Jovens.
Sempre ao lado de seu mestre, em janeiro de 1952 Ikeda assumiu como secretário do Distrito Kamata. Sua missão era impulsionar a expansão e fortalecer o ritmo da propagação em toda a Soka Gakkai, alcançando o resultado inédito de 201 shakubuku. Paralelamente à expansão do budismo, Toda publicou, em 28 de abril de 1952, a Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin (Nichiren Daishonin Gosho Zenshu), em comemoração aos 700 anos da fundação do Budismo Nichiren.

Confiando a herança do kosen-rufu
Em 8 de setembro de 1957, Josei Toda proferiu a “Declaração pela Abolição das Armas Nucleares”, que se tornou diretriz do movimento da Soka Gakkai em prol da paz. No texto, condenou o uso de armas nucleares, consideradas um “grande mal” por retirarem da humanidade o direito à vida. Em dezembro daquele ano, Toda concretizou a meta de mais de 750 mil shakubuku.
Em 16 de março de 1958, foi realizada a cerimônia de transmissão do bastão do kosen-rufu a seis mil integrantes da Divisão dos Jovens. A data ficou conhecida como “Dia do Kosen-rufu”. Duas semanas depois, em 2 de abril, Josei Toda encerrou sua nobre existência aos 58 anos, após concluir seus objetivos. Com o falecimento de Josei Toda, Daisaku Ikeda, aos 32 anos, assumiu a liderança da Soka Gakkai como terceiro presidente, em 3 de maio de 1960.
Cinco meses depois, em 2 de outubro, marcou o primeiro passo para a propagação mundial do Budismo Nichiren, partindo em viagem para as Américas do Norte e do Sul. Em janeiro do ano seguinte, viajou para a Ásia e a Índia e, em outubro, visitou a Europa. Iniciou-se, assim, a realização do kosen-rufu mundial e o retorno do budismo ao Ocidente, conforme predito por Nichiren Daishonin.
Para realizar os objetivos traçados por Toda, Ikeda expandiu o movimento em prol da paz, da cultura e da educação. Entre outras iniciativas, fundou o Instituto de Filosofia Oriental, a Associação de Concertos Min-On, o Museu de Arte Fuji de Tóquio e o Sistema de Ensino Soka, do jardim de infância ao curso superior.
Em 8 de setembro de 1968, apresentou uma proposta para reatar as relações diplomáticas sino-japonesas e, em 1972, dialogou com o renomado historiador Arnold Toynbee. Em uma época marcada por barreiras impostas pela Guerra Fria, abriu caminhos de paz e amizade ao visitar e dialogar com lideranças da China, da antiga União Soviética e dos Estados Unidos.
Com a fundação da Soka Gakkai Internacional (SGI), em 26 de janeiro de 1975, na Ilha de Guam, foi indicado como seu presidente. Em abril de 1979, tornou-se presidente honorário da Soka Gakkai.

A expansão internacional da Soka Gakkai
Desde 1983, anualmente, em 26 de janeiro (Dia da SGI), Daisaku Ikeda encaminhava à Organização das Nações Unidas (ONU) sua Proposta de Paz. Em 2012, enviou a 30ª Proposta de Paz. Seus encontros com personalidades ultrapassaram sete mil, e as obras em forma de diálogo com intelectuais do mundo somam cerca de cinquenta títulos. Em particular, o diálogo com Arnold Toynbee foi publicado em 27 idiomas e recebeu ampla repercussão. Além disso, Ikeda realizou mais de trinta palestras e conferências em universidades e entidades científicas.
Em 1995, foi aprovada a “Carta da SGI”, que estabelece os princípios filosóficos e humanísticos da organização. Em 1996, foi fundado o Instituto Toda para a Paz Global e Pesquisa Política, baseado nos ideais de Josei Toda. Em 2001, foi inaugurado o campus de Aliso Viejo da Universidade Soka da América, na Califórnia. Atualmente, o movimento em prol da paz, da cultura e da educação com base no Budismo Nichiren expandiu-se em escala mundial.
Hoje, os nomes dos três primeiros presidentes são reconhecidos em diversas partes do mundo, inclusive na denominação de logradouros públicos, além de homenagens e condecorações. Ikeda recebeu mais de 25 condecorações estatais, cerca de trezentos títulos acadêmicos, mais de setecentos títulos de cidadania honorária e diversas outras distinções, em reconhecimento à sua atuação em prol da paz, da cultura e da educação.
Em paralelo a esse desenvolvimento, em 1991, ocorreu um incidente com o clero da Nichiren Shoshu, que excomungou mais de dez milhões de adeptos pertencentes à Soka Gakkai. O ato foi considerado heresia por se opor ao espírito de Nichiren Daishonin. Apesar de sucessivas tentativas de destruir a organização, a Soka Gakkai superou essa problemática e promoveu ampla campanha de propagação em escala mundial.
Atualmente, membros da SGI atuam em 192 países e territórios. Eles comprovam a veracidade do Budismo Nichiren em sua vida e, ao mesmo tempo, promovem a formação de jovens como herdeiros do kosen-rufu e como discípulos do presidente Ikeda.
Com base no humanismo budista, integrantes da SGI contribuem para a prosperidade social em seus respectivos países, promovendo eventos nas áreas de cultura, educação e meio ambiente, que têm recebido reconhecimento público. Dessa forma, por meio de sua atuação, o Budismo Nichiren tem se tornado uma luz de esperança para a humanidade.
Ampla propagação
Durante mais de setecentos anos após o falecimento de Nichiren Daishonin, o budismo que ele revelou permaneceu restrito aos templos e a poucos adeptos. Em 1930, o surgimento da Soka Gakkai rompeu as barreiras do tempo e da distância, aproximando o coração de Daishonin ao das pessoas do povo por meio dos ensinamentos dele, seu maior legado. O educador Tsunesaburo Makiguchi, fundador da organização, entendeu perfeitamente esse espírito do Buda e se pôs em ação, percorrendo grandes distâncias para visitar uma única pessoa. Por meio de diálogos nas reuniões de palestra e em pequenas atividades, as pessoas tinham mais conhecimento e convicção sobre a validade do Budismo de Nichiren Daishonin.
Assim como Daishonin, Makiguchi também sofreu severas perseguições, justamente por defender o respeito máximo pela dignidade da vida ensinado pelo Buda. Ele foi preso, junto com seu fiel discípulo, Josei Toda, e morreu na prisão, defendendo suas convicções até o último instante.
Josei Toda saiu vivo do cárcere e não perdeu nem um minuto sequer para viajar e se encontrar com os poucos membros que restaram após a Segunda Guerra Mundial. Ele jurou realizar o sonho do seu mestre, edificando a organização que defendesse e legitimasse os ensinamentos de Nichiren Daishonin. E foram as pequenas atividades, as quais ele conduzia encorajando o coração sofrido de uma pessoa após a outra, que selaram o avanço da Soka Gakkai. Também foi numa dessas reuniões de diálogo nas residências, as quais resistiram aos bombardeios, que se deu o encontro com o jovem Daisaku Ikeda, o qual herdou o legado dos mestres predecessores, tornando-se mais tarde presidente da organização e divulgando o Budismo Nichiren amplamente pelo Japão e pelo mundo.
A chave para estabelecer a paz e a prosperidade em nosso mundo encontra-se no coração humano — na oração das pessoas pelo bem-estar da sociedade — e em cada pessoa estabelecer uma sólida identidade por meio de sua revolução humana. Uma pessoa que ora pela paz e tranquilidade social e tem consideração pelos outros torna-se consciente da necessidade de contribuir para a sociedade e de atuar em prol dela.
– Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI)